A maioria dos santos é celebrada no dia da sua morte.
À primeira vista, isso pode parecer estranho. Mas, para os cristãos, a morte de um santo não representa um fim, e sim o nascimento para a vida eterna. É o momento em que sua caminhada na terra encontra plenitude junto de Deus.
Por isso, ao longo do ano, a Igreja recorda os santos justamente na data em que partiram desta vida.
Mas existem algumas exceções.
Entre milhares de santos celebrados pela Igreja ao longo dos séculos, apenas três têm o seu nascimento comemorado no calendário litúrgico.
São eles:
- Jesus Cristo, celebrado em 25 de dezembro;
- Nossa Senhora, celebrada em 8 de setembro;
- São João Batista, celebrado em 24 de junho.
Essa particularidade já nos mostra que existe algo muito especial em sua missão.
Mas existe também uma razão espiritual ainda mais profunda.
A Igreja celebra apenas três nascimentos porque, nesses três casos, encontramos uma santidade única já antes do nascimento.
Jesus Cristo, por ser o próprio Filho de Deus feito homem, não poderia estar sujeito ao pecado.
Nossa Senhora foi preservada da mancha do pecado original desde a sua concepção, por uma graça especial de Deus.
E São João Batista foi santificado ainda no ventre de Santa Isabel quando Maria, trazendo Jesus em seu seio, visitou sua prima.
O Evangelho relata que, ao ouvir a saudação de Maria, João estremeceu de alegria no ventre materno e Isabel ficou cheia do Espírito Santo (Lc 1,41).
Por isso, desde os primeiros séculos, a Igreja reconheceu a singularidade de sua missão.
São João Batista ocupa um lugar único na história da salvação.
Foi ele quem preparou os caminhos para a chegada de Cristo. Sua vida inteira apontava para alguém maior do que ele.
Antes mesmo de nascer, sua história já estava ligada à de Jesus.
O Evangelho relata que, quando Maria visitou Isabel, João ainda estava no ventre de sua mãe e estremeceu de alegria ao encontrar o Salvador que também estava por nascer.
Mas talvez o que mais impressione em São João Batista não seja apenas sua importância.
É sua humildade.
Em uma época em que muitos o viam como um grande profeta, ele nunca buscou ocupar o lugar que pertencia a Cristo.
Pelo contrário.
Quando seus discípulos demonstraram preocupação porque as pessoas começavam a seguir Jesus, João respondeu com palavras que atravessaram os séculos:
“A Ele convém crescer, e a mim diminuir.”
Existe uma beleza profunda nessa atitude.
São João compreendia que sua missão não era ser o centro das atenções.
Sua missão era preparar o caminho.
Apontar para Jesus.
E, depois disso, deixar que os olhares se voltassem para Aquele que realmente deveria ser visto.
Em um mundo onde tantas vezes buscamos reconhecimento, aprovação e visibilidade, São João Batista nos recorda algo precioso.
A verdadeira grandeza não está em chamar atenção para si mesmo.
Está em conduzir os outros para aquilo que realmente importa.
Afinal, por que a Igreja celebra o nascimento de São João Batista?
Porque sua missão foi única na história da salvação e continua sendo um exemplo de humildade, fidelidade e entrega a Deus.
Por isso a Igreja celebra o seu nascimento.
Não apenas pela importância da sua história, mas pelo testemunho que continua deixando para nós.
Um testemunho de fidelidade, humildade e missão.
E uma lembrança sempre atual de que, quando apontamos para Cristo, encontramos o verdadeiro sentido da nossa caminhada.